Marcelo Tas: “Não adianta querer ser pai moderno”

Onde você estudou?
Marcelo Tas: Tive uma vida escolar muito nômade. Até os 15 anos, estudei em escola pública na cidade onde nasci, Ituverava, no interior de São Paulo. Meus pais são professores, então tive uma vida muito ligada à Educação. Fiz piano dos 8 aos 15 anos. Estudar era uma coisa tranquila. Sempre estive rodeado de livros e convivi muito com professores. Mas, aos 15 anos, decidi que era hora de mudar. Resolvi ser piloto e fui fazer a Escola Preparatória de Cadetes do Ar, em Barbacena (MG). Essa foi uma experiência fundamental na minha vida, pois passei três anos convivendo com gente do Brasil inteiro e voando nos aviões da FAB de graça. Isso ampliou meus horizontes. Depois, eu fui para São Paulo fazer Engenharia na Escola Politécnica da USP. E foi justamente ali que nasceu o meu amor pela Comunicação, pois eu comecei a editar o jornal de humor anarquista da Poli. Acabei fazendo vestibular para a Escola de Comunicação e Artes (ECA), também da USP, e, durante um tempo, fiz as duas faculdades. Mas eu comecei a me envolver com vídeo, televisão e, de repente, eu não tinha mais tempo para me dedicar aos dois cursos. Então a minha mãe, que é uma pessoa muito sensata, mandou eu terminar pelo menos um deles. Fiz as contas e vi que o mais rápido seria a Poli. E foi o que fiz. Mas, depois disso, percebi que precisava de uma formação mais técnica na área que eu gostava de verdade, que era Comunicação. Aí, ganhei uma bolsa da Comissão Fullbright e fui estudar Cinema e Televisão na New York University. Lá, tive aulas com diretores consagrados, como o Scorcese e o Coppola.

Que professores mais lhe marcaram?
Marcelo Tas: Na quarta série do primário, lá em Ituverava, eu tive uma professora de educação sexual que se chamava Dona Hilda. As aulas dela eram uma total transgressão, pois estávamos em uma cidade muito conservadora. Ela era mulher de fazendeiro, linda. Aquilo foi uma revolução, uma coisa muito moderna para a época, me deixou besta. Era uma excitação dupla, pois ela separava meninos e meninas. Durante a aula das meninas, ficávamos tentando ouvir as perguntas e comentários delas. Outro professor marcante foi o seu Manuel Ramos Pereira, de Português. Ele era muito rigoroso e muito culto. Foi com ele que aprendi o que era poesia, romance, literatura. E também as famigeradas orações subordinadas adversativas! E teve ainda a Dona Basílica, professora de Admissão, um cursinho que fazíamos para entrar no ginásio. Ela era muito brava, mas muito debochada. Foi naquela época que eu tive a minha primeira namorada. Íamos às matinês e todos ficavam esperando o momento em que eu pegaria na mão da menina.

Você era um bom aluno?
Marcelo Tas: Eu era considerado CDF, porque tirava boas notas. Mas, na verdade, fazia parte da turma do “fundão”.

Qual é a importância de estudar sempre?
Marcelo Tas:
Nós somos o que lemos, o que aprendemos, o que vivemos na escola. Até o nosso vocabulário é resultado da nossa vivência na escola. Tudo o que acontece nessa fase é muito marcante, tanto na parte emocional quanto na parte pedagógica. Hoje eu sou o que construí durante todos os meus anos de estudo. Mas, na verdade, eu nunca saí da escola. Continuo estudando, fazendo muitos cursos. Educação é uma coisa muito divertida, acabou virando o meu trabalho. Durante cinco anos, trabalhei no Telecurso 2000. Nesse período, mergulhei em matérias formais e em como traduzir esse conteúdo para a televisão. O próprio CQC é uma tentativa de traduzir o mundo em uma linguagem bem humorada. E agora eu vou voltar a fazer um programa para crianças. No dia 31 de dezembro, estreia no Cartoon Network o Plantão do Tas, um telejornal com notícias fictícias.

As redes sociais podem ajudar na Educação?
Marcelo Tas: Sozinha, as redes sociais não fazem nada. Mas elas podem acelerar processos, pois permitem que ideias sejam criadas em conjunto.

Qual é o papel do professor hoje?
Marcelo Tas: O professor não é mais o único provedor. O seu papel é de provocar, instigar, aprender junto, e não de dar respostas prontas. Os professores mais marcantes são justamente aqueles que mais nos inspiram.

Como melhorar a Educação do Brasil?
Marcelo Tas: É muito simples. Basta valorizar a Educação. O problema é que pouca gente faz isso. A Educação deveria ser uma questão estratégica, mas tem sido só blá-blá-blá. Deveríamos seguir o exemplo de países como os Estados Unidos, a Coreia do Sul e até a Argentina.

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  1. com certeza o tas ta certo…conhecimento é a unica coisa que não podem roubar de você!!!

  2. Engraçado.. Pra chamar o Luque de gatinho tem 50 comentários, pra falar de educaçao tem um mais o meu!
    É por isso que as coisas sao como sao no brasil.. a preguiça e falta de vontade de falar de coisa séria é endemico.
    A propósito o Marco Luque faz um trabalho espetacular!

  3. por isso cada vez mais o admiro como pessoa e jornalista ele com esse jeito todo inrreverente e social e bom humorado com o jeito culto serio é uma mistura que relmente da certo adoro ele e seus trabalhos principalmente o cqc que nao perco uma só segunda ,bjim.

  4. Sabe o que é pior do que haver tantos comentários pro Luque? É presenciar essa rasgação de seda. Antes do CQC, ninguém dava um puto pelo Tas. Agora que estão todos nessa “festinha” que parece o Pânico de vez em quando, um monte de tietes universitárias iletradas que desmaiam toda vez que Tas fala um “tchuc tchuc” ou quando Luque dá um arroto. Ai, tão lindinhoo…
    É cada uma que são duas…

  5. Debora Thomaz

    Precisamos de um governo que se importe com a educação do nosso país, que dê condições para que os professores possam trabalha com dignidade… podemos ver o quanto o brasil está atras de outros paises em criterio de educação.
    Tas adoro o seu trabalho.. não perco nunca o CQC.
    Bjus

  6. Bárbara Maria

    Muito direto e objetivo em suas respostas Tas, parabéns. Concordo com você em relação à educação, precisa ser valorizada.
    Nós somos o que lemos, o que aprendemos, o que vivemos na escola. > Marcelo Tas. Amei a frase!!
    Beijos!

  7. Bárbara Maria

    Parabéns CQC!!

  8. Portal CQC!!

  9. Marcia de Oliveira Dias

    Marcelo, vou te dar uma dica: A violência no Brasil,a falta de respeito para com os outros, as drogas etc.
    Isso tudo começou a acontecer quando fizeram essa maldita LEI DO MENOR E DO ADOLECENTE (Senadora Rita Camata, mãe dessa medíocre lei).
    Depois dessa Lei aprovada, não se pode mais corrigir um filho, dar algumas chinelada quando precisa e tudo mais que um bom pai e uma boa mãe deve fazer para educar um filho. Sendo assim a LIBERDADE DESENFREADA ESTÁ AÍ SEM CONTROLE e os problemas nas família e na sociedade vão se agravando cada vez mais. Concorda comigo? Senta a ripa Marcelo, voces podem. Abraços, sou fã da turma do “C.Q.C.””

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