Marco Luque na revista Imagine

Entrevista Coletiva: Luque – ou seriam seus personagens?

Você acha que existiu um momento da virada, uma hora em que sua carreira deu uma guinada e você se tornou conhecido?

Não existiu um momento, as coisas foram acontecendo naturalmente. Sou um ator que trabalha muito e graças a Deus tenho um público que reconhece o meu valor.

– Você criou vários personagens. Acha que eles têm prazo de validade?

Na arte não existe prazo de validade. Veja, por exemplo, Chico Anísio com seus personagens, que até hoje são vistos como atuais.

– Você montou uma empresa, que agenda diversos comediantes. Você se vê também como empreendedor?

Tenho uma produtora que também cuida dos meus trabalhos, além de outros projetos. Penso muito no quanto posso produzir; minha irmã, Dani Luque, é a empreendedora da família e mais dedicada aos negócios. Mas a ideia não é ser agência, e sim entregar espetáculos completos, mais elaborados.

– Qual foi o impacto do Terça Insana na sua carreira?

O Terça Insana foi uma oportunidade muito importante na minha vida. Aprendi muito com a Grace Gianoukas  (diretora do projeto), que tira o melhor da cada integrante do grupo e mantém a qualidade e o sucesso reconhecido por todos que o conhecem.

– Entre tantos personagens, o Marco Luque que aparece em público também é um deles, diferente de sua persona no dia a dia?

Em todo trabalho costumo me dar por inteiro, independente de ser Marco Luque, Jackson Five, Silas Simplesmente… 

– Seu pai, João Luque, foi sua grande influência para tentar a vida de jogador de futebol?

Meu pai foi pra China, Canadá e EUA como técnico. Eu fui só para a Espanha. Quando eu jogava no Santo André ele já era treinador. Ele foi árbitro também. A gente foi pra Espanha, ele foi tentar ser empresário, colocar jogador lá fora. Foi muito na raça. Eu fui porque tinha 19, 20 anos, e nessa idade topava tudo. Tranquei minha faculdade e fui. Fiquei um ano lá, mas voltei para terminar a faculdade, pois foi o que achei mais importante pra mim, para minha formação.

– Você já afirmou em outras entrevistas que os próprios problemas pessoais se tornam matéria-prima de seus personagens. Há momentos em que a própria tiração de sarro incomoda?

Sou um ser humano com sensibilidade, tenho meus momentos bons e ruins, mas procuro sempre encarar a vida com leveza. 

– Esta interação de seus personagens entre si – e com você mesmo – numa espécie de “síndrome consentida da múltipla personalidade” está mais para Chico Anysio ou Andy Kaufman?

Sempre tive o Chico como um mestre por seus personagens serem tão diversificados. Talvez pela grande admiração por ele, eu tenha buscado inspiração nesse universo do humor.

– Como era sua vida de jogador de futebol na Europa? E por que você não deu continuidade a ela?

Na Europa tem que ser bom de bola para conquistar seu espaço. A vida de futebolista é estressante, há treinos de manhã e à tarde, concentração e muita disciplina, e cobra-se muito durante os jogos. Meu pai sempre me ajudou para que eu pudesse dentro e fora do campo enfrentar todas as dificuldades. 

– Você já fez papéis sérios, mas em poucas situações. Gostaria de ter mais oportunidades não relacionadas à comédia?

Hoje meu momento é humor, mas estou sempre aberto a desafios.

– Você acha que a publicação de vídeos de seus shows no Youtube ajuda ou trapalha a sua carreira?

Atrapalhar é pesado demais. O problema é que a qualidade de algumas imagens colocadas no Youtube é bem ruim.

– Você é um artista plástico também?

Serei um artista plástico só a partir do momento em que fizer uma exposição. Como nunca fiz, não me considero. Estou há um tempo parado. Ano que vem quero voltar, criar um espaço em casa, voltar a fazer ilustrações. Eu já fui ilustrador de agência. Chamava Ramblas do Brasil, fazia até cartões tridimensionais. Eu tinha 17, 18 anos. E também faço esculturas. 

 – O Marco Luque de dez anos atrás se via onde o Marco Luque de hoje está?

Ele não fazia ideia de quem seria o Marco Luque de hoje em dia (risos). Meu caminho teve vários desvios. Teve uma fase da minha vida em que eu estava perdidaço. Quando voltei da Espanha, vi que não ia mais jogar futebol. Eu tinha que definir: focar em artes plásticas ou em artes cênicas? Isso me deu uma angústia porque eu realmente não conseguia decidir. Aí eu deixei a vida decidir por mim e comecei a fazer tudo. E parece que o fato de eu fazer as duas coisas, o fato de eu não ter o compromisso de que um ou outro desse certo, fez com que eu chegasse até aqui. Querer muito uma coisa atrapalha, sabe? Tem que dar espaço para o acaso, para o inesperado.

– Já teve dias ruins, dias em que saiu do palco e a plateia não correspondeu?

Já, no Terça Insana. Tínhamos que fazer um personagem  por mês, então às vezes a criação ainda estava nua e crua. Mas a gente funciona sob pressão. Agora eu tenho 12, 13 personagens por isso. Se não tivesse sido assim, talvez eu não teria tantos personagens.

– Como você se vê daqui a dez anos?

Nada muito diferente. Eu acredito que o que eu venho fazendo não é instantâneo, são coisas que venho construindo há anos, e que vão continuar. Talvez eu faça um pouco mais de arte.  

– A sensibilidade do artista plástico se comunica com a sensibilidade do artista cênico?

Sim. As artes no geral tornam diferente seu olhar sobre todas as coisas. Mas nas artes plásticas o trabalho que desenvolvo é bem sério, não tem nada a ver com as artes cênicas, em que sou supercômico,  trabalho com o humor.

– Você vai voltar para o Terça Insana?

Tenho muitos projetos para os próximos anos: um show com os personagens, que ainda está em pré-produção, e várias esculturas que pretendo expor no momento certo. No show, quero muitos elementos lúdicos, fazer um show mesmo, e que as pessoas se sinatm agraciadas com vários elementos, tanto de música como visuais e de dança. Essa é a minha prioridade no momento.

– Como você sabe que um personagem está pronto?

Logo que eu desço do palco. Dá para saber nessa hora.

– De que maneira você se desenvolveu no teatro?

O artista é formado muito pelas experiências que tem no dia a dia. Por isso eu tenho o personagem que é garçom e o que é monitor de acampamento. Porque eu já tive essas profissões.

 – Enquanto você se dedica ao stand up de cara limpa, os personagens ficam em hibernação?

É , eu os coloco para dormir (risos). Digo para eles que estão de férias. Como eu saí do Terça Insana este ano, preferi dar um tempo, experimentar o stand-up, isso me ajudou no CQC. Lá eu estou de cara limpa, e eu nunca tinha feito nada assim.

– Há dois anos você disse que a TV era algo muito engessado. O que mudou nesse tempo?

Eu acho que a proposta mudou. Eu já tinha recebido convites para ir para a TV, mas era para programas que já estão aí há 20 anos. Então, se fosse para fazer TV, eu esperava que fosse algo bem diferente, que me acrescentasse, que não me atrapalhasse no teatro – que é minha vida e tem uma energia muito forte. O CQC veio com uma proposta nova, é um programa novo, que usa do humor para fazer as pessoas prestarem atenção no que acontece no dia a dia. Eu achei isso muito legal. E fiz um tipo de contrato que me permitia estar no teatro. Então tudo deu certo.

– O seu twitter começou como um fake, que passou a bola pra você. Dá para falar com todo mundo no Twitter? Tem muito reply para você?

Muito! Não dá para responder tudo, mas eu procuro ver alguma pergunta ou outra que dá para responder de um jeito mais generalizado, ou eu vejo a curiosidade das pessoas, e tuito como se fosse uma resposta, mas não direta. É bom isso do Twitter, porque não temos o compromisso de responder diretamente para uma só pessoa… é um papo geral. Mas ainda recebo email, cartas…

– A criação dos personagens acontece sempre do mesmo jeito?

Não, há vezes em que o personagem vem instantaneamente. Em outras, demora meses. Tenho um personagem que está ganhando forma agora, de repente eu o encontro de vez, ou então penso em dois personagens e percebo que seria melhor uni-los para ter um mais completo. O Silas foi meu primeiro, então ele é carregado de artimanhas e coisas que faço, como o beat box.

  1. Carla Fernandes

    Nossa adorei acho que varias pessoas estavam querendo ler essa materia e nao encontraram a resvista!parabens !!

  2. amoooooooooooooooooooo muitooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo luque .

  3. Essa entrevista ñ se restringiu ao que todos perguntam a ele.
    Ficou interessante.. adorei :}

  4. Palloma Nascimento

    espetacular essa entrevista, soa tão natural. Você é demais Luque.

  5. dafne fernanda

    ele é o máximo…
    Eu procurei essa revista imagine p/comprer e não encontrei…
    Voces do portal estão de parebens conseguiram a revista que alguns fãs como eu queriam ver.!!!!
    E o luque é lindo,engraçado,inteligente(as vezes)rsrsr!e o meu homem de preto favorito!!
    bjos p/todos os fãs do cqc

  6. Palloma Nascimento

    LUQue você é tudoooooooooo de bom.

  7. luque,vc é inteligente, humorado,responsavel.
    esta de parabens.continue assim.
    te curto de montao.bjs

  8. ameeeeeeeeeeeeeeeeei ! *-*

  9. adoro ele . ele eh o cara .amei muito a reportagen dele . =]

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