Monica Iozzi: só a minoria é gente boa no Congresso

A repórter do CQC Monica Iozzi concedeu uma entrevista exclusiva na qual ela revela que, na sua opinião, só a minoria dos parlamentares trabalha para melhorar a vida do povo “e estes ainda sofrem muito”, diz. 

Iozzi revela ainda sua desilusão com os políticos brasileiros, diz que não se candidataria a nada e conta que sua vontade é mostrar o que ela vê na política à população brasileira. Confira abaixo trechos da entrevista:

Se você tivesse que dar uma nota para a política brasileira, qual seria?

Nossa…Eu não sei porque na verdade é difícil falar sobre isso, pelo seguinte: se eu der uma nota três, por exemplo, eu posso estar dando uma nota baixíssima para quem merece e uma nota alta para quem não faz nada. 

O que eu vejo trabalhando aqui: a minoria é gente boa. Não no sentido de julgamento. A minoria está realmente trabalhando para melhorar a vida do povo. A maioria está trabalhando pelos interesses individuais, não pelos interesses da população. E essa minoria que trabalha pelo povo sofre muito, é muito difícil para eles conseguirem fazer alguma coisa. Então não gosto de jogar eles no lugar dos outros sabe?

Se eu der uma nota para todo mundo não seria justo. 

Tem dias que em você chega a sair da gravação pensando: que dia sofrido?

Eu acho que sofrido é uma palavra forte. [pausa] Eu saio cansada. Não é só um cansaço físico, é um cansaço mental, acho que a palavra seria desiludida. 

Hoje [na última quarta-feira, dia 23], por exemplo: fazendo matéria sobre a corrupção, a gente levantou os dados da FGV, da ONG Transparência Brasil e aí você vê que 60% dos deputados federais têm algum processo na Justiça. E se você vai falar sobre isso eles acham graça, que é perseguição política. Dos 513 deputados, 310 têm processos na Justiça. Destes, todo mundo é perseguido? É vítima?  E você fala: esses caras estão fazendo as leis do país. 

E não é acusação pequena…o cara é acusado de peculato, de envolvimento com a máfia das ambulâncias, caixa dois, prestou contas erradas na campanha…e para eles tudo bem. 

É incrível no sentido da palavra mesmo. Não dá para você crer. É uma coisa que falam que é impossível. É o meu trabalho: faço porque gosto, porque quero, mas não saio de lá esperançosa não. 

Eu saio com vontade de mostrar para as pessoas o que a gente vê. Porque tem muitas coisas que não chegam à população. As pessoas não sabem como é o trâmite da coisa, que a oposição pode bloquear uma votação importantíssima porque é oposição e eles querem outra coisa.  Um jogo né? A população não está sabendo desse jogo. Explicitar esse jogo é o nosso trabalho.

Qual a sua avaliação do trabalho com os políticos? O balanço é positivo ou negativo?

Acho que tem os dois lados. No lado pessoal, no que isso mudou na minha vida, acaba sendo ruim porque eu me dei conta de que a coisa é muito pior do que parece, mas ao mesmo tempo é bom, porque é sempre melhor a gente estar relacionando com a verdade. 

Apesar de eu ter descoberto que “o buraco é mais embaixo”, eu acho importante ficar sabendo disso do que passar a vida inteira sem saber. 

Do programa como um todo, é um balanço muito bom. As pessoas só veem o trabalho final…muito do que a gente é xingado, desrespeitado não chega, porque não é esse o nosso objetivo, não queremos colocar o CQC no papel de vítima. A gente só quer colocar a coisa importante em discussão, só isso. 

Eu me lembro que, antes de entrar no CQC eu estava um dia com amigos, vendo o programa, e de repente estávamos em uma roda de amigos discutindo política pela primeira vez em quase 10 anos de amizade. 

Eu acho que essa coisa do CQC chamar um pouco o foco para isso, principalmente da galerinha mais jovem, eu acho fantástico. Não que eu ache que a gente está mudando o mundo, não sou ingênua a esse ponto, mas só da discussão aumentar um pouquinho já é válido. Se toda pessoa que nunca prestou atenção na política parar para ver a minha matéria, já estou feliz. Porque quanto mais a gente souber, mais difícil esses caras enganarem a gente. 

Você gostaria de falar sobre mais algo marcante?

Outra coisa que me marca muito: no Brasil, a gente da mídia acaba fazendo política. Não vou julgar, acho que o cara não vai ser bom ou ruim por ter vindo do universo de celebridades ou não. A população está tão descrente na política que qualquer pessoa que tenta questionar um pouco mais as coisas vira um possível candidato. 

Tem muita gente querendo me transformar em candidata. Eu sempre digo que não, principalmente depois que passei a conhecer mais a coisa de perto, não. Acho que eu não conseguiria me bandear para o lado ruim e os bons não conseguem quase nada. 

Sem contar que é um negócio chato para caramba, sabe? O Congresso é forrado de carpete, tem ar-condicionado pra todo lado, é um lugar terrível. (…) Eu sou meio anarquista, jamais me candidataria a nada, a não ser a concurso pra ser repórter na televisão [risos].

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Publicado em 27/11/2011, em CQC. Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Ricardo de Ávila

    Mônica. você poderia fazer uma reportagem a respeito desse assunto que vai de encontro a interesses políticos e não vai adiante se não houver uma repercussão nacional. Grato.

    10 de outubro, o dep. Marcio Bittar foi á tribuna da câmara para tratar de um assunto importantíssimo para todos nós brasileiros, uma PEC de sua autoria, para a qual está colhendo assinaturas, que visa valorizar o servidor público.

    Essa emenda à constituição prevê que, com exceção dos cargos de assessoramento direto do Poder Executivo da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, todos os demais cargos em comissão deverão ser ocupados por servidores públicos concursados. Com essa idéia, o deputado pretende avançar na organização e profissionalização do serviço público, uma vez que garante a ocupação de cargos de chefia no setor público apenas áqueles já selecionados por concurso.

    “Afinal, o país conta com centros de excelência, como a Escola de Administração Fazendária (ESAF), e com a Escola Nacional de Administração (ENAP), que podem servir como institutos para a formação de quadros que atuem de forma a modernizar a administração pública brasileira”, disse o deputado Marcio Bittar.

    O provimento de cargos comissionados por pessoas estranhas ao seviço público não só não se justifica tecnicamente, como também conflita com o princípio da moralidade administrativa, na medida em que permite que, como condição para o exercício de funções públicas, o mérito seja substituído por relações de amizade, familiares ou por consessão de favores políticos.

  2. Andressa Malfati Ribeiro

    Essa apresentadora, Mônica Iozzi, beira o mau gosto e a falta de educação. Faz caras e bocas, força uma simpatia e carisma que não possui, não faz perguntas inteligentes e não consegue nada além de incitar a irritação dos políticos. O que esperamos deste programa são atitudes que realmente levem à mudança, e não apenas palavras ácidas e pouco inteligentes. O CQC já teve apresentadores melhores! Será que não está na hora de reavaliarem seu elenco? Essa apresentadora é mal educada, e pouco inteligente. Seria interessante alguém melhor, para aproveitar o acesso aos políticos e realmente fazer valer a opinião publica.

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