“Falar de política parecia falar de palavrão”, lembra Marco Luque

O ator, humorista e apresentador Marco Luque recebeu o UOL para uma entrevista nos bastidores do show “Tamo Junto”, em cartaz no teatro Frei Caneca, em São Paulo.

Bastante descontraído, Luque falou sobre como se tornou ator, como lida com o assédio de fãs e afirma que nunca abandonaria o teatro “para se tornar um escravo da TV“. Aos 36 anos, o apresentador lembra que “quando eu era adolescente, falar de política parecia falar de palavrão” e elogia o papel crítico do CQC: “A TV estava carente de um programa assim“.

UOL – Fale um pouco da sua carreira. Você já foi jogador de futebol…
Marco Luque –
Sim, eu era jogador de futebol na Espanha. Mas, quando pequeno, já fazia teatro. Acontece que sempre me dei bem em esportes e, como meu pai trabalhava com isso… fui para a Espanha e fiquei lá um ano. Mas tive de decidir se terminava os estudos. Então, voltei para o Brasil, parei minha carreira no futebol e terminei minha faculdade de  artes  plásticas. Comecei a trabalhar como garçom, instrutor de acampamento e virei palhaço. Conheci uns atores, fundamos um grupo e comecei a atuar.

UOL – Como você começou a fazer ‘stand up’?  Que personagem é o seu favorito?
Marco Luque –
Eu estava na “Terça Insana” e depois comecei no stand up. Fiquei curioso por causa dos meninos que já têm experiência no projeto, tipo o Oscar Filho, o Rafinha Bastos e o Danilo Gentili. Mas eu queria fazer algo novo e foi aí que experimentei.  Dos personagens, eu gosto muito do Silas, gosto do Jackson… de todos!

Carol Quintanilha/UOL 

UOL – Em uma enquete do UOL  sobre qual humorista da TV brasileira era o mais bonito, você ficou em segundo lugar (o vencedor foi o Bento Ribeiro). O que você achou do resultado?
Marco Luque –
(Risos) Pô, eu acho que o Bento Ribeiro é um gato… mereceu! (Risos) Sabe, as pessoas confundem beleza com simpatia. As pessoas podem te achar bonito, mas gostam mais se você é legal e simpático. Teve uma revista também que já me colocou entre os 25 mais sexy.

UOL – Como você lida com o assédio? Já ficou com alguma fã?
Marco Luque – 
Normalmente, quando a fã é aquela mais escandalosa, é mais nova… E, para mim, não dá. Gosto de mulher mais madura. Não sou igual  ao Gentili que pega só as ‘pivetas’ (risos), mas não tenho nada contra. Se fosse solteiro e aparecesse uma fã que fosse interessante, é claro que ficaria. Uma vez, uma menina disse que tatuou as iniciais do meu nome. E ela falou: “O que você acha?” .  E eu disse: “Eu acho que você é louca!” (Risos).

UOL – E o “CQC”?  São sete homens trabalhando juntos e apenas uma menina. Como é a relação entre vocês?
Marco Luque –
Muito homem junto.  Bom, dá uma quebra assim, porque o Rafa Cortez  está lá, então você não pode dizer que é tanto homem assim junto. (Risos) Mas foi bom a Mônica ter entrado. Porque alguém tem que ter mais capacidade de cuidar dos nossos ternos, fazer nosso café… (Risos). É zueira, viu?!

UOL – Já houve briga no “CQC”?
Marco Luque –
Comigo aconteceu só uma vez, quando tinha uma piada no roteiro que eu queria fazer. Mas o Tas e o Rafinha não seguiram o roteiro e eu acabei não falando. Fiquei chateado, queria ter feito a piada. Os estresses que tem ali são de momento, por que o Tas tem um ponto no ouvido e o diretor fica o tempo inteiro mandando tocar o programa e,  às vezes,  eu e o Rafinha damos umas viajadas. E o Tas tem autoridade para chamar a nossa atenção, fazer a gente retomar o foco. Isso faz parte do programa.

UOL – Com quem  você tem mais afinidade no “CQC”?
Marco Luque –
Com o Felipe [Andreoli]. A gente se identificou mais.  De todos ali  [no programa], ele é o cara que eu faço mais coisas fora do trabalho. O Tas também.

UOL – E “O Formigueiro”? Teve muita crítica na estreia, mas já está há três meses no ar…
Marco Luque –
Bom, teve muita crítica e isso é normal. Tem muito crítico que acha que o caminho é falar mal por falar. Talvez  seja uma estratégia meter o pau sem fundamento para aparecer. Mas, eu li muitas críticas legais, construtivas,  que serviram para ver o que precisava melhorar. O programa precisou ser adaptado para o Brasil… A audiência aumentou, mas eu não me preocupo com isso.

UOL – Você diz que audiência não te preocupa, mas não existe pressão por parte da emissora?
Marco Luque –
Não, isso não existe. É claro que eu gostaria de ter mais (audiência), por causa também do patrocínio. (Risos) O programa não é o “meu programa”, é um programa que existe e eu fui convidado para apresentar. Eu tenho essa liberdade de fazer do jeito que acho melhor, a Band é muito legal por causa disso. Ela deixa a gente dar uma pirada!

UOL – E como você faz para conciliar dois programas, shows, vida de casado?
Marco Luque –
Ah, eu não durmo, não transo, não como… (Risos). Falando sério, hoje em dia eu sou muito mais regrado e disciplinado, aprendi a cuidar melhor do meu tempo. Fazer dois programas é super puxado e “O Formigueiro” exige bastante. Você tem que estudar o convidado, fazer ensaio, cuidar da elaboração do roteiro. Eu gostaria de alcançar o desprendimento e o “à vontade” que eu fico no teatro para fazer na TV, mas é difícil. Acho que serão necessários mais alguns anos.

Carol Quintanilha/UOL

UOL – Você deixaria o teatro para se dedicar apenas à TV?
Marco Luque –
Não. Não vou virar escravo da TV. Para mim o palco é fundamental, foi ele que me levou à TV, e não o contrário. O teatro é a minha base. O contato com a plateia, com as pessoas, isso para mim é muito importante. É um retorno imediato, uma troca de energia incrível. Quero fazer teatro para sempre, ficar igual o Paulo Autran, até velhinho no teatro.

UOL – O que você acha que tem de melhor na TV brasileira hoje?
Marco Luque –
Olha, eu não sei se estaria puxando o saco, mas sinceramente, o “CQC” é foda. Ele veio muito legal, muito forte em uma época em que a TV estava carente de um programa assim. Acho muito importante esse trabalho que o “CQC” faz. Essa galerinha nova não tem ideia do quanto a informação que estamos passando é importante para eles e para o nosso país. É muito bom que o adolescente se interesse por política. A gente não usa ficção, a gente faz piadinha, mas as piadinhas são muito pequenas perto do que a gente tem a dizer em relação à política. A gente não finge, a gente vai direto nos caras, vai no Maluf, vai no Sarney perguntar por que eles roubam e ainda assim eles se acham o Tony Ramos. Antigamente, quando eu era adolescente, falar de política parecia falar de palavrão. Nem falava, sabe?

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Publicado em 28/10/2010, em CQC. Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Adorei a entrevista ..
    Luque meu amorzão eu te amo

  2. ilza silveira

    Vc é lindo, maravilhoso. Ontem, tinha show seu aqui em Goiânia e não consegui ir. Uma pena, já tenho sessentinha mas sou sua tiete, com mto orgulho!!!

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