Monica Iozzi e Sabrina Sato: as musas são mais parecidas do que você pensa

Conseguir colocar Sabrina Sato e Monica Iozzi frente a frente custou semanas de malabarismo telefônico. Quando uma tem a tarde livre a outra está em Analândia a tirar satisfações com um prefeito. Quando a outra pode jantar, uma está no México atrás de um ex-cantor do grupo RBD. Talvez fosse mais fácil marcar em Brasília, onde as duas vez ou outra se trombam enquanto correm atrás, literalmente, de membros do Congresso Nacional. Mas não há por que elas embarcarem para a capital por uns tempos. É que eles, os excelentíssimos, estão de folga.

Tempos de campanha… e durante uma campanha para um cargo público não sobra muito tempo para trabalhar no cargo público para o qual foram eleitos. E foi na casa de Sabrina, uma cobertura triplex em São Paulo, que, na boca do fechamento desta edição, conseguimos reuni-las para um lanche da tarde.

As duas não poderiam ser mais parecidas. Despachadas, donas de uma cara de pau e de um talento de improvisação incomum, são as duas mulheres escaladas para cobrir política em Brasília pelos dois programas humorísticos mais bem-sucedidos do país. Sabrina no Pânico na TV e Monica no CQC.

As duas não poderiam ser mais diferentes. Sabrina foi garimpada no perecível lodo das celebridades instantâneas depois de participar do terceiro BBB. Se tornou fenômeno ao combinar carisma, falta de noção e trajes curtíssimos. Monica foi a escolhida para o CQC dentre 28 mil candidatos. Formou-se em artes cênicas e trabalhava com teatro alternativo. E vai ganhando fama como repórter trajando um fleumático paletó e gravata. Tão diferente de Sabrina que nem considera o que faz humor. “O CQC é uma charge na TV. Tem humor, mas é fonte de informação.” Sabrina dá a sua versão da dissidência: “O Pânico é a turma do fundão. O CQC são os alunos da frente da sala”.

Diferentes sim, mas tudo numa boa. “Querem criar uma rivalidade entre nós que não existe. Outro dia, em um evento, até falei pra Sabrina: ‘Vamos fingir que estamos brigando de verdade?’. Eu adoro essa japa!”, diz Monica.

Foi para falar das impressões que as duas enviadas especiais a Brasília têm dos nossos eleitos que elas toparam nos encontrar. Abaixo, Sabrina e Monica contam como é escancarar o ridículo do poder e tentar fazer o povo deixar de ser palhaço dos políticos enquanto ri deles.

Falta humor entre os políticos?
Monica Iozzi: Falta humor, mas o que falta mesmo é seriedade. Eles são mal-humorados, mas não são sérios. Acho que, em geral, os mais bem-humorados são os mais sérios. E os mais inteligentes são os que aceitam falar com a gente.

Sabrina Sato: Claro! Os que fogem são os que têm algo a esconder. Com o [senador] Renan Calheiros [PMDB-AL], nunca consegui falar.

Monica: Mas mesmo os que não devem nada… tem cara que você puxa a ficha e ele não é um escroto. Mas eles não falam porque acham que a gente faz chacota deles.

Mas no seu caso é difícil definir o que é brincadeira e o que não é…

Monica:
Não faço um programa convencional. A gente não quer ser politicamente correto, mas não quer desrespeitar. Por isso não tratamos todos como farinha do mesmo saco. Não vou tratar o [deputado federal] Chico Alencar [PSOL-RJ] como eu trato o [presidente cassado Fernando] Collor.

E esse jeito de cobrir política aumenta o interesse do público pelo assunto?
Sabrina:
Isso é que é o bacana. Tenho que passar a informação, mas de um jeito que agrada quem não gosta de política. Minha mãe não sabia quem era o Álvaro Dias [senador tucano que quase foi vice de Serra], e agora sabe porque vê o Pânico. Eu mesma não sabia a cara deles. Mas comecei a me interessar, querer saber mais… E passei a gostar.

Vocês preferem as pautas em Brasília do que as outras?
Monica:
Gosto muito de cobrir Brasília. Não porque é prazeroso, mas porque eu vejo o resultado.

Sabrina: Do Pânico só eu vou pra lá. Os caras viram que não dava para ficar indiferente ao que acontecia em Brasília. Mas não pode entrar no Congresso fantasiado de Dilma, de Lula… E assim me tornei repórter investigativa política do Pânico na TV! No início ninguém queria falar comigo, todo mundo tinha medo. Resolvi começar a conversar com eles sobre outros assuntos. Hoje em dia eu sei tudo sobre a vida deles: quem planta açúcar, quem faz banana. Eles me contam da vida, virei psicóloga dos deputados. Converso com eles meia hora pra ter 1 min. de entrevista.

Monica: O CQC não é um programa de humor. É diferente do Pânico, que é mais escrachado. O CQC pode ser engraçado, mas pode ser mais contundente, crítico. Me identifico mais com isso do que com humor. E sempre fui meio topetuda. Se uma celebridade me tratar mal eu saio andando.

Sabrina: Mas e se o político sair andando?

Monica: Aí eu corro atrás dele. Se o político for sem educação eu continuo atrás.

Sabrina: Sabe o que é pior? É que a gente vai entrevistar e eles são muito fedidinhos. Pra não ser indelicada, quando eu sinto o cheiro pego meu perfume e passo até não sentir mais. Ou pego uma balinha e ofereço… gente, isso acontece muito.

Mesmo com bafo, eles dão em cima?
Sabrina:
Comigo nunca, nunca, nunca…

Monica: Ninguém deu em cima de mim também. Mas a menina que contratamos pra recolher assinaturas para a PEC da cachaça… Quase todos deram em cima! [O CQC conseguiu 11 apoios para um projeto de lei que incluía a cachaça na cesta básica, porque os deputados assinavam sem ler.]

Para conferir a entrevista na íntegra, clique aqui.

*A entrevista acima é parte da reportagem Sabrina Sato e Monica Iozzi publicada na revista Trip, edição de nº 191. Texto por Caio Ferretti e Bruno Torturra. Fotos Luiz Maximiano.

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Publicado em 14/08/2010, em CQC. Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Valquiria Mauro

    Eu não acho elas parecidas, e tbm gosto da Monica

  2. No caso de se esforçar para correr atrás dos políticos, acho que as duas realmente são parecidas! Mas… sinceridades: a Monica faz isso muito melhor que a Sabrina, só tem que ser um pouco mais extrovertida quanto o Danilo Gentili! Mas ela ainda é a “caçula” do CQC e com certeza ainda tem muito o que brilhar! Vai lá Monica!

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