Marcelo Tas fala sobre o CQC, Twitter e política

Marcelo Tas, 50 anos, não quer explicar nada e pretende confundir a todos. Faz assim com o livro Nunca Antes na História Deste País, com uma seleção de frases do presidente devidamente comentadas por seu olhar ferino, e ao arrebanhar uma legião de seguidores com seu Twitter. Entre o humor e o jornalismo, constrói um jeito autoral de pensar, olhar e criticar o Brasil. A entrevista que segue foi concedida ao Correio Braziliense.

Pergunta: Como você e o CQC se colocam entre a crítica e a exposição de celebridades?

Marcelo Tas: O CQC pode ser um veículo muito poderoso para algumas figuras que a gente critica, mas é parte do jogo. É um programa arriscado e a gente gosta disso. Trabalhamos numa fronteira do jornalismo com o humor. Não podemos cair na tentação do desrespeito, mesmo ironizando uma figura. A gente não gosta do Sarney, por exemplo, que é uma das figuras mais nocivas à República brasileira, mas tenho que tratar o cara dentro desse limite para não usar as mesmas ferramentas que ele usa, como o desrespeito à sociedade, a censura, a truculência. Agora, a gente sabe que figuras como ele podem se beneficiar do CQC sendo simpáticas ou caras de pau. O Maluf, por exemplo, fala muito com o CQC, sabe que é importante usar o programa como um veículo.

Pergunta: O humor crítico no Brasil mudou nos últimos 10 anos?

Tas: Poderia ter mudado mais. O público quer mais ousadia, que a gente oferece. Por isso o programa causou tanto impacto. Dele para a última ousadia da TV tem pelo menos cinco anos, que foi o Pânico. Nem é a mesma praia, mas foi uma grande ousadia. E do Pânico para a ousadia anterior, que foi o Casseta & Planeta, tem mais cinco ou oito anos.

Pergunta: Tem alguma coisa que você não goste no CQC?

Tas: Muitas. Acho que ainda é um programa muito sexista, uma coisa que é inevitável porque é muita testosterona, muito macho, e, às vezes, passa do tolerável na questão do machismo ou da grossura.

Pergunta: Você diz que é importante saber ouvir. O que significa isso hoje no Brasil ?

Tas: Quem não ouve está fora do jogo, fora da brincadeira. As pessoas, as empresas, os jornais, os pais, os professores, quem não ouvir hoje dançou por causa da velocidade da rede. Qualquer coisa que a gente faça hoje é em rede, inclusive as coisas antigas. Mesmo os jornais de papel são feitos em rede. Mesmo que não tenha um Twitter ou não seja interessado nisso está nessa era. Eu gosto muito disso. Acho que quem trabalha com comunicação vive uma era muito especial. Procuro olhar quem está fazendo coisas legais.

Pergunta: Seu Twitter é um dos mais seguidos do Brasil. Essa superexposição não multiplica o vazio?

Tas: Se tem esvaziamento ou aprofundamento, depende da gente. O que tem hoje nessas ferramentas é uma velocidade muito alta e uma capacidade de atingir pessoas que você nunca atingiu. No meu caso, tem uma coisa extra, que é a capacidade de ouvir pessoas. A tevê não permite isso, é um veículo surdo onde as pessoas só falam e onde fui forjado. Passei duas décadas de trabalho só falando e ouvindo muito pouco as pessoas. No Twitter, ouço as pessoas.

Pergunta: A que você atribui o sucesso do livro Nunca Antes na História Deste País?

Tas: Há um interesse e um desconhecimento sobre a história do Lula. Com a pesquisa que fiz para o livro, descobri muita coisa que não sabia do presidente, e olha que corro atrás dele desde 1983. O Lula tem uma personalidade muito de horário comercial. Ele está sempre trabalhando e nunca com a postura desarmada. Fala pouco com a imprensa. Tem quem o ache um péssimo presidente e quem acha que ele é um gênio. Como não acho nenhuma das duas coisas, me interessou fazer um livro que não tomasse partido. Chamo isso de bipolaridade que a gente tem em relação a ele. Se você faz uma crítica é porque você é contra; se você elogia, é a favor. Acho que há uma falta de maturidade no Brasil em relação a uma estabilidade democrática. No livro procuro contribuir um pouco para isso, causando mais confusão. As pessoas nunca sabem se sou lulista, se sou tucano. Aliás, sou acusado das duas coisas.

Pergunta: Você é governista ou da oposição?

Tas: Não tenho compromisso com nenhum partido. Já votei em todos os partidos. Minha tarefa neste mundo é de espírito de porco, estou cada vez mais convencido disso. Na última eleição, votei no Afif Domingos. Para mim, não tem mais diferença entre ter Afif ou Suplicy. Não há diferença entre PT e Democratas enquanto ética ou crença em uma democracia. Não é um compromisso partidário ou ideológico que guia minha vida. A mudança não vem daí. Por isso até admiro o presidente. Lula tem nos seus maiores pecados, às vezes, suas virtudes. Um cara que abraça o Jader Barbalho tem que ter estômago de avestruz. É um cara muito contraditório. Mas ele tem ao mesmo tempo esse estômago que faz com que consiga tocar o país com relativo sucesso na área econômica e até na área política.

Pergunta: Gostaria de mandar um recado para Lula ou Dilma?

Tas: Será que eles vão ouvir? Meu recado seria esse: ouçam mais as perguntas. Acredito que os políticos não precisam ter medo de se expor. E acredito que o presidente é o cara. Ele não precisava se cercar tanto, poderia se expor mais, dar mais a cara para bater porque é capaz de sair de qualquer situação. O Brasil pode ser um país respeitoso e divertido ao mesmo tempo. E a gente pode tratar a política com contundência, mas também com humor.

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Publicado em 27/01/2010, em CQC. Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. Adorei a imtrevista e principalmente como foi colocado o poder de influencia do cqc.
    O tas fico muito fofo de all Star =]

  2. Gostei muito da entrevista…
    e realmente eu li o livro e fiquei mais confusa..kkkk
    mas achei o livro divertido e ao mesmo tempo mostrando como são as coisas na política.
    E realmente não temos que ter compromisso com um partido, mas sim com a ética e a verdade.

  3. Carolina De Oliveira Almada

    Estou com vontade de comprar o livro mas não sei se vou entender…rsrsrsrs!!Mas ja decidi q eu vou comprar msm, vai valer a pena!Ah, dorei a entrevista, o marcelo sempre tem boas respostas =)

  4. caras!! voçeis sao otimos, sao os caras que os politicos odeian. voçeis tinhan que vir a baixo guandu os caras aqui estao discarados a tao a pomto de chegar a ameaçar pessoas de morte, os caras de pal estao fasendo a festa e si dando bem abraço por traz e um beijo na nuca.

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