O Clube dos Homens de Preto

Com uma forma que mistura humor e jornalismo, e com um bom apelo às novas tecnologias, o CQC aponta caminhos para a televisão brasileira. 

Com sete homens de preto e uma mosca, o programa que mistura humor e jornalismo conseguiu encontrar uma fórmula original na desgastada programação da TV brasileira. O CQC (Custe o Que Custar), exibido desde o ano passado nas noites de segunda-feira na Band, aumentou a audiência do canal de 2,4 para 5 pontos. Agora, a audiência também gera repercussão. “No começo, só os jornalistas e os formadores de opinião falavam do programa. Hoje, ele é assunto dos porteiros e taxistas.”, comemora Elizabetta Zenatti, diretora artística da emissora. 

Foi Elizabetta, uma italiana que mora há 12 anos no Brasil, a responsável por importar a fórmula do programa, criado na Argentina pela produtora Cuatro Cabezas. Fã do programa, ela levou um ano preparando a estreia do irmão brasileiro – incluindo seis meses para a escolha dos repórteres-comediantes.

Arriscou exibi-lo às segundas-feiras, “um dia em que todo mundo está em casa e não há o que assistir”, conta ela. Um nome se impôs desde o início: o humorista multimídia Marcelo Tas, célebre nos anos 80 por encarnar o repórter Ernesto Varela, que importunava políticos com suas perguntas diretas – adiantando em 20 anos o estilo dos repórteres do CQC.

CQC na revista TAM nas nuvens

Ao contrário do Pânico na TV, seu concorrente mais próximo, o CQC investe em pautas políticas, um quadro que mescla humor e assistência social e um quadro de perguntas e respostas – tudo para não se restringir à caça das celebridades. O resultado é uma audiência jovem e bem informada – 52% do público vem das classes A e B, e 41% tem entre 18 e 35 anos.

“O jornalismo e o humor são formatos muito desgastados, cada um na sua praia. Acho que o nosso mérito foi juntar os dois com criatividade”, diz Rafinha Bastos, um dos comediantes que compõem a bancada do programa com Tas. O outro é Marco Luque, que ganhou projeção com seus personagens no espetáculo Terça Insana. Antes do CQC, Luque recusou participações em outros programas, como Zorra Total, da Globo. “Sempre pensei que, quando resolvesse fazer TV, teria de ser um programa totalmente novo. Aqui, cada um tem sua personalidade”, diz o ator.  Além dos sete integrantes, dois redatores na faixa dos 30 anos ajudam a criar as perguntas e piadas que vão ao ar. 

O cultivo dessa audiência jovem se alimenta da principal fonte de informação e entretenimento desse público: a internet. “Acredito que conquistamos muitos espectadores que já estavam quase caindo fora  da TV”, opina Tas.

O retorno é medido em números: das cinco celebridades mais seguidas do Twitter, site de microblog em que os internautas recebem mensagens instantâneas de outars pessoas que decidem “seguir” na internet, duas são do CQCRafinha Bastos com 278 mil seguidores, e Marcelo Tas, com 242 mil (eles só perdem para as páginas de Mano Menezes, técnico do Corinthians, do programa dominical Fantástico e do apresentador Luciano Huck). São ainda quase 500 mil fãs na principal comunidade do programa no orkut.

Outro exemplo: em um dos programas de agosto, a produção convidou dez blogueiros para assistir à gravação ao vivo na plateia composta por 200 pessoas. Rafinha Bastos e Danilo Gentili, que ficou conhecido por interpretar o Repórter Inexperiente no início do CQC e hoje é a maior dor de cabeça para os políticos no Congresso e no Senado, devem suas carreiras antes do programa à internet. 

Enquanto Rafinha postava em seu site vídeos dos seus números de comédia muito antes do YouTube, Gentili tinha um blog de humor muito popular desde 2004. A comédia standup, aliás, foi o berço de quatro dos sete integantes. Natural: na standup, esses atores treinam a capacidade de improviso, fundamental para disparar perguntas a políticos e celebridades e manter o humor ao vivo. Rafael Cortez, que antes do CQC trabalhava como produtor, passou a praticar a standup depois do programa, “para ficar menos sisudo, aprender a ser zoado e não se obrigar a sair sempre por cima nas entrevistas”, diz.

Para Tas, o prolongamento do CQC na internet não é só acessório – ele é necessário. “Depois das gravadoras, chegou a vez de a TV e o cinema viverem essa crise de audiência, por conta de um novo tipo de espectador. A casa já caiu. Agora só resta peguntar: qual a nova casa a se construir?”, filosofa o apresentador, conhecido há mais de 20 anos por sempre experimentar as novas tecnologias.  

Até na publicidade o programa encontrou uma forma de fazer diferente. Ainda existe o intervalo comercial tradicional, mas o principal merchandising é feito dentro do programa, em vinhetas interpretadas pelos próprios repórteres. Assim como na publicidade feita em jornais e revistas, há algumas regras para separar o conteúdo publicitário do conteúdo do programa: as inserções não podem passar de 20 segundos (em vez dos 30 dos comerciais normais), e os atores não podem ter falas – as imagens são cobertas só por músicas. “As agências de publicidade não entenderam isso no início. Passamos quatro meses no ar sem nenhum anúncio grande, era um desespero. Tive que ir pessoalmente a várias agências explicar esse projeto. Um dos anunciantes queria colocar a latinha da bebida na bancada do programa, e eu não aceitei”, conta Tas.

Além do oitavo integrante, escolhido em concurso aberto aos telespectadores do programa e que entrará no casting a partir de outubro, o que o futuro reserva ao CQC? Marco Luque diz que quer sair de trás da bancada para fazer reportagens, mas só no futuro – no momento, sua agenda é lotada com espetáculo solo. “Pra quê encurtar um caminho que está ão bom assim, longo?”, brinca. Tas gostaria de explorar mais o interior de São Paulo, que, segundo ele, pode render boas pautas. Se continuar antenado nos focos de interesse dos seus jovens espectadores, e transformando os assuntos do momento em humor inteligente, os homens de preto terão longa vida na TV. 

* Matéria publicada na revista TAM nas nuvens

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Publicado em 16/09/2009, em CQC. Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. Oi..tudo bem??Meu nome é Karen e tenho 14 anos…essa é a segunda vez que tento falar com vocês pois eu queria muito conhece-los pessoalmente, no dia 1 de janeiro eu faço 15 anos e como presente eu queria muito ver todos os lactobacilos vivos do cqc, ou melhor os tchuqui- tchuquis. Eu amo muito vocês e esse seria sem dúvida o melhor presente que eu poderia ganhar!!Por favor tentem atender o meu pedido, eu vou ficar muito feliz se isso acontecer!!

    Obrigado!Beijos….Kah

  2. Eu quero muito conhecer vocês!!!

  3. Por favor…eu amo o cqc

  4. Segunda é o dia que durmo mais tarde…tudo isso por que…eu amooooo vcsss

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