Marcelo Tas e sua arte de fazer jornalismo com humor e ousadia

Marcelo TASJornalista, ator, apresentador, roteirista, diretor de diversos programas de televisão e rádio… Marcelo Tas já foi de tudo, mas hoje tem mais uma profissão: ele é um Homem de Preto. Uma das cabeças mais criativas do país, Tas usa seu humor perspicaz para desenvolver um dos programas de maiores sucessos na TV brasileira, o CQC, “uma criação que sabe usar bem o humor para falar de política, mas com ousadia e consistência“, diz.

Conectado com os diversos tipos de mídia desde criança, o apresentador conta nessa entrevista como é essa relação com tecnologia; a importância de uma das principais ferramentas na internet, o Twitter; a relação entre o CQC e os políticos; e, claro, sobre o oitavo integrante do programa. “Espero ser surpreendido!”

Quando surgiu essa ‘necessidade’ por tecnologia?
Desde criança. Eu nasci em Ituverava, uma cidade a 400 km de São Paulo. Naquela época para visitar a capital levávamos quase um dia de viagem. Desde menino sentia necessidade de descobrir as coisas e esse desejo aumentou quando, aos oito anos, ganhei um radinho de ondas curtas. Aí escutava de tudo até a BBC britânica – e olha que eu não entendia nada! Aos 10 anos tive meu primeiro contato com a televisão e consegui ver o homem chegar a lua. Enfim, foi nessa época que percebi que o mundo era muito maior do que aquele mundinho.

Por falar em mundo, dá pra dizer que o Twitter é a última fronteira?
No momento é sim a última fronteira. É uma ferramenta rápida e interativa, muito veloz e interativa. Vivemos em um momento que as pessoas não querem mais perder tempo e o Twitter é bem isso, imediato.

A impressão que aparece é que se Marcelo Tas não está produzindo algo para o CQC, está na internet, ou melhor, no Twitter.
Eu não vivo conectado, eu sou online! Aprendi a ver tudo ao mesmo tempo, a saber dividir o curto tempo disponível para ver um Twitter aqui, o blog ali, notícias. O negócio é dar um pouquinho de atenção para cada ação, mas sem se perder. Aprendi muito disso com meus filhos, aquela coisa de criança de querer fazer tudo ao mesmo tempo.

Seus filhos também usam muito a internet?
Minha filha mais velha usa muito. Ela tem Twitter, blog, mas tudo em um esquema diferente. Ela faz Direito e está focada em literatura e trabalhos ligados aos direitos humanos. O Miguel ainda é muito novo, tem oito anos, mas já usa para ver desenhos, vídeos, animações.
Nunca controlei o que meus filhos fazem. Na verdade, a palavra controle não existe no meu dicionário. É impossível controlar um filho, um erro. Minha relação e confiança se passam no olho por olho, em bater um papo. Não tem que pré-ocupar, mas se ocupar em ter uma boa relação com a criança. Se o filho está bem, a relação é boa.

Aquela polêmica do Twiter com a Telefônica te deixou marcado como um João Gordo, ou melhor, um traidor do movimento? (Tas é patrocinado pela empresa de telefonia e algumas pessoas acharam que essa atitude seria errada para um jornalista)
(Risos) Pois é. É o que algumas pessoas pensam. Vejo que na internet as pessoas querem tudo de graça, mas não percebem que é mais um veículo como qualquer outro. Essa discussão toda me ajudou a tentar mostrar para o pessoal que ter um patrocinador não significa que sou vendido. Veja bem: o CQC tem o mesmo patrocinador e ninguém reclama disso! Essa discussão toda fez parecer para algumas pessoas que eu consegui um emprego através do Sarney e não por causa de 27 anos de trabalho.
No Brasil existe uma culpa lusitana por ganhar dinheiro. Já nos EUA existe certo orgulho. Nós precisamos mudar isso, não temos nada que esconder.
De todo modo foi uma aula. Aprendi a lidar como muitas situações, como as pessoas que me acompanham na internet e também com o patrocinador, que está investindo em mim.

Como se sente ao receber homenagens como “ter uma inteligência de ameba”?
Senti muita emoção! É um caso de amor! (risos)
Essa história é engraçada porque ele dá pití e acaba se queimando. O cara (Requião) usa um canal público (Canal Educativo do Paraná) para cometer outro erro e fazer propaganda pessoal.
Esses políticos ainda não entenderam esse novo mundo! Não existe mais aquele controle que eles tinham com as TVs, por exemplo. Como Sarney fazia no Maranhão. Acabou. A internet está aí e qualquer deslize aparece rápido.

Vocês não sentem medo de uma agressão mais branda por parte de seguranças de políticos? Parece que alguns estão perdendo a razão.
Sim. Estamos todos entrando na escola de Jiu-Jitsu! (risos)
Olha, nós não temos medo. Não é querer desafiar ninguém, mas quando temos convicção do que é certo, a sociedade responde. A repercussão do incidente com o Danilo Gentili foi enorme, e em diversas mídias (Danilo foi empurrado para o chão por um segurança de José Sarney), uma ofensa ao jornalismo e não ao CQC exclusivamente. Então, estamos preparados e não deixaremos de apontar o que estiver errado.

Qual era a sua expectativa antes do CQC e qual é agora, quase dois anos depois da estreia?
Tinha uma intuição de sucesso, isso desde que começou a produção, em 2007. Mas não esperava que a repercussão viesse tão rápida.
Para o futuro a expectativa é a melhor possível. Temos eleições, que vai movimentar todo o ano de 2010. É um país que precisa de questionamento, principalmente nesse momento de crise mundial, com grandes potencias passando por problemas. Vejo que essa é a hora do Brasil dar as caras. A questão é que vivemos em um país muito infantil e sinto que o CQC pode colaborar no crescimento, principalmente com a cada vez maior participação dos jovens na política.
Fui em uma festa de aniversário em um dia desses e alguns pais me contaram que seus filhos, de 10, 12 anos, estavam falando do Sarney. Acho isso incrível, pois qualquer assunto é possível, desde que ele seja discutido de forma adequada. O humor é a chave para tudo, uma linguagem muito eficiente.

É possível dizer que o CQC original se inspirou no Ernesto Varela?
(Risos) Não é isso. Posso dizer que o Ernesto e o CQC têm o mesmo DNA, mas um não é inspiração para o outro. Claro que há muitas coisas parecidas entre eles, mas fica por aí.

Qual é o grande segredo do sucesso do CQC?
Olha, sinceramente, um dos grandes motivos é que a Band banca a nossa ousadia. Nós precisávamos de uma emissora que abrisse o espaço e tivesse audiência, e aqui aconteceu isso.
O trabalho com a Band é muito sério. Toda a pauta é discutida com o jornalismo da emissora, para trabalharmos juntos, como foi, por exemplo, nos debates das eleições em 2008. O que fazemos é um jornalismo com consistência e, claro, muito humor.
Vou te contar que a “menina dos olhos” da produtora do CQC é a produção brasileira, seja em repercussão, audiência ou comercial. Temos todas as cotas de anuncio vendidas e isso só acontece aqui no Brasil. A promoção do oitavo integrante, por exemplo, é pioneirismo. Nenhum outro CQC fez.

Fonte

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Publicado em 31/07/2009, em CQC. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Salvee MARCELO TAS!!!!

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