“Publicidade e conteúdo devem conviver sem interferências”, afirma o apresentador Marcelo Tas

Marcelo Tas é considerado um comunicador multimídia. Por acaso foi o primeiro brasileiro a acessar a internet, quando estudava na Universidade de Nova Iorque. Suas plataformas são as mais variadas, desde o blog que já ganhou diversos prêmios à sua participação na TV, como âncora do programa “CQC“, exibido pela Band. Recentemente, Tas embarcou nos ventos do fenômeno Twitter, onde se posiciona como campeão de audiência.

Foi neste serviço de micro-blogs que o comunicador se envolveu em uma polêmica sobre a associação de sua imagem com o produto que o patrocina. Muitos questionaram a postura de Tas e até o criticaram por tornar-se garoto propaganda. Algumas matérias foram publicadas sobre o assunto, vinculando o profissional ao anunciante e até inflando informações de que ele estaria sendo bombardeado por reclamações de usuários do produto.

O que ocorreu com Tas é o reflexo de um conceito de publicidade ainda não assimilado pelos leitores, internautas ou telespectadores. É importante lembrar que a mídia passa por uma transformação, nunca antes vista, o perfil de consumidor de informação deixa de ser passivo e passa a ser interativo, uma nova figura aparece recém intitulada de “prosumer” (consumidor que também produz). Em entrevista ao Portal IMPRENSA Marcelo Tas esclarece o equivoco da reportagem em que ele foi citado e comenta a relação de anúncio e anunciante. Além disso, fala sobre publicidade nas novas mídias interativas.

Marcelo Tas

IMPRENSA – Recentemente criou-se uma polêmica da sua participação em torno da divulgação de um produto que o patrocina no Twitter. Você acredita que o fato de o serviço de micro-blogs ser uma nova ferramenta e não ter critérios definidos sobre publicidade associou em demasia sua imagem ao produto?
Marcelo Tas –
Penso que não é só o twitter que não tem critérios definidos em relação à publicidade. A revolução digital e as transformações que ela está trazendo obrigam todos os veículos a se redefinirem, principalmente em relação à publicidade. Basta o leitor reparar como fica o seu jornal predileto aos domingos, geralmente “envelopado” por patrocinadores, o crescimento dos tablóides gratuitos distribuídos na rua, rádios que eliminaram o “break” comercial e adotaram o nome do patrocinador, a expansão do conteúdo de revistas para seus sites e a programação da TV sendo picotada em pílulas para a internet.

IMPRENSA – Como o consumidor está lidando com essas mudanças?
Tas –
Vemos uma alteração no comportamento por parte do cidadão. O cara da poltrona, que engolia tudo sem questionar, evaporou. A informação trafega em mão dupla, em múltiplas vias. O leitor, que é telespectador e também ouvinte agora usa seu próprio microfone e se torna mais crítico e exigente. Os profissionais da comunicação estão sendo obrigados a se recolocarem diante deste novo público.

IMPRENSA – E a relação de sua imagem com o produto?
Tas –
Desde que não interfira no conteúdo editorial, não tenho constrangimento algum. Todos os veículos de comunicação, com a provável exceção do jornal cubano “Granma” que é “patrocinado” por Fidel, depende da publicidade para pagar seus funcionários. No CQC, temos sete patrocinadores, um deles o Speedy, da Telefônica. Além de ser âncora do programa, ainda apareço nas ações de merchandising. Ninguém se importa com essa exposição, que tem infinitamente mais impacto e audiência que o meu twitter. Portanto, acredito que a tal “polêmica” em torno do apoio publicitário que recebo do Xtreme, outro produto da Telefônica, na internet é sintoma de preconceito ou mesmo preguiça de algumas pessoas que relutam em conviver com a nova era digital.

IMPRENSA – Uma matéria na internet tratou do “bombardeio” de mensagens que você recebeu dos clientes da Telefônica em seu Twitter. O que aconteceu?
Tas –
Infelizmente essas informações se originaram de uma reportagem cheia de erros.  Simplesmente, nunca existiu “bombardeio” algum ao meu twitter. O site de notícias que publicou a matéria divulgou um “Erramos”, corrigindo a reportagem a que você se refere. Fui prejudicado já que a “reportagem” com erro ficou dois dias entre as mais lidas no portal. O tímido “Erramos” só foi publicado três dias depois, tempo que na internet significa meses ou anos.

IMPRENSA – Em que a repórter se baseou para fazer a matéria?
Tas –
Ela usou como base para sua investigação jornalística, comentaristasMarcelo Tas anônimos que “pescou” na internet fonte de baixíssima credibilidade, fortemente viciada. Usando essa amostragem ela produziu uma reportagem altamente fantasiosa. Me entrevistou com a premissa que eu estava sofrendo um bombardeio com “centenas” de críticas. Tese que refutei desde o início. Depois, sem informar o leitor da sua premissa falsa, na edição final de sua “reportagem”, a repórter substitui “centenas” por “dezenas”. Depois da publicação da reportagem, aí sim, surgiu um pequeno bombardeio de críticas. 

IMPRENSA – Como você define a assimilação do público com os novos formatos de anúncio?
Tas –
Ao contrário de muitos colegas, acredito que as novas ferramentas podem ajudar o discernimento do público. Anteriormente, por exemplo, leitor de jornal só podia se manifestar através de carta. Agora, ele tem vários canais em tempo real à disposição.

IMPRENSA – De que maneira publicidade e conteúdo podem conviver?
Tas –
No meu entendimento, a ética em relação aos patrocinadores não mudou em nada. Publicidade e conteúdo devem conviver de forma que publicidade não interfira na liberdade de informar e opinar do conteúdo. A complexidade da discussão decorre do fato que os formatos de comunicação são cada vez mais múltiplos e flexíveis. A tarefa de estimular o discernimento está principalmente com os profissionais de comunicação, que vivem no epicentro dessa grande mudança. Esses profissionais (e eu me incluo) devem procurar a multiplicidade e a flexibilidade.
 
IMPRENSA – E a evolução deste novo mercado de publicidade, utilizando-se das novas mídias e migrando cada vez mais para o espaço virtual?
Tas –
Todos nós já migramos para o mundo virtual. Mesmo quem ainda não percebeu isso. Entretanto, somos uma parte de uma geração que ainda vive deslumbrada e paralisada na encruzilhada da mudança. É importante esse momento de reflexão. Mas não devemos ficar passivos ou menosprezando o tamanho da transformação que já está em marcha.

Fonte.

Anúncios

Sobre Portal CQC OFICIAL

Seu portal de notícias sobre o CQC!

Publicado em 09/05/2009, em CQC. Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. Como ele disse, qnd aparecem os merchans durante o programa tds acham normal… e só falam do twitter.
    Estranho… G_G
    Heheh…

    =*

  2. Tas é um monstro da TV brasileira assim como Silvio Santos.

  3. Tas é um monstro da TV brasileira assim como Silvio Santos. CQC custe o que custar manhã 22:15!!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s